Pacientes com Parkinson e a dificuldade com obstáculos ao caminhar

Pacientes com Parkinson e a dificuldade com obstáculos ao caminhar

Em estudo, cientistas detectaram incapacidades relacionadas à manutenção do ritmo da caminhada e ao posicionamento do pé.

Pesquisadores do Departamento de Educação Física e do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento-Interunidades da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru (SP), mensuraram em pacientes com doença de Parkinson a sinergia do comprimento do passo durante a travessia de obstáculos e concluíram que ela é 53% menor do que em pessoas saudáveis da mesma idade e peso.

O termo sinergia refere-se à capacidade do sistema locomotor de adaptar o movimento – combinando fatores como velocidade e posicionamento do pé, por exemplo – quando é preciso cruzar um obstáculo, como desviar de um buraco ou subir a guia da calçada. Melhorar a capacidade sinérgica em pacientes com Parkinson durante o ato de caminhar pode fazer grande diferença na qualidade de vida dessas pessoas, pois tendem a cair até três vezes mais do que indivíduos saudáveis. Segundo os pesquisadores, o comprimento do passo é uma das principais variáveis afetadas pela doença.

O  artigo com a pesquisa foi publicado na Revista Gait & Posture. Os pesquisadores conseguiram perceber que os pacientes com doença de Parkinson apresentam menor capacidade de adaptar o posicionamento do pé ao se aproximar de um obstáculo e cruzá-lo do que pessoas saudáveis.

Obstáculos

Participaram do estudo 13 pacientes com Parkinson e 11 pessoas neurologicamente saudáveis, com mais de 50 anos. As condições para fazer integrar a amostragem eram: capacidade de andar sem auxílio; visão e audição normais (ou corrigidas para a normalidade com uso de aparelhos); ausência de doenças ortopédicas ou neurológicas (exceto Parkinson). Todos os pacientes selecionados estavam fazendo uso de tratamento medicamentoso (Levodopa) para a doença de Parkinson.

Os participantes tiveram de caminhar por uma passarela de 8,5 metros de comprimento por 3,5 m de largura, e cruzar um obstáculo de espuma (com 15 centímetros de altura) colocado a 4 m da posição inicial de saída. A velocidade da marcha não foi imposta, sendo escolhida pelo participante. Nenhuma instrução foi fornecida sobre qual perna deveria cruzar o obstáculo primeiro. No entanto, a posição do obstáculo para cada participante foi ajustada de forma que ele cruzasse o obstáculo com o membro direito primeiro.

A mensuração da sinergia do comprimento do passo foi feita por uma metodologia adaptada para o estudo do movimento humano.

Biomecânica

A mensuração da sinergia do comprimento do passo foi feita por uma metodologia proveniente da engenharia mecânica e adaptada para o estudo do movimento humano. A metodologia não é específica para estudos de marcha, nem para pessoas com doença de Parkinson: foi adaptada de um conjunto de métodos usado pelo primeiro autor do artigo, Satyajit Ambike, para mensurar força nos membros superiores, juntamente com o professor Mark Latash, da Pennsylvania State University (Estados Unidos).

Foram usadas oito câmeras de análise do movimento, adquiridas com financiamento da FAPESP. O estudo também teve apoio por meio de uma bolsa de pesquisador visitante internacional.

Vinte marcadores recobertos com fita reflexiva foram fixados em pontos predeterminados no corpo da pessoa engajada no experimento. “Enquanto ela caminha pelo trajeto que leva até o obstáculo e o ultrapassa, as câmeras emitem uma luz infravermelha que bate nesses marcadores e volta. A partir dessa reflexão, as câmeras conseguem captar a posição dos marcadores e, com isso, é possível determinar a distância e a duração do passo, fazendo os cálculos restantes com softwares de análise”, informa o professor do Departamento de Educação Física da Unesp e do Programa em Pós-Graduação em Ciências do Movimento-Interunidades, Fábio Augusto Barbieri.

Ele afirma que a aplicação dessa metodologia a estudos de marcha é inédita. “E também inovadora, no sentido de que podemos, com uma só variável, de maneira relativamente simples, detectar possíveis incapacidades relacionadas à ritmicidade do andar no paciente. Com isso é possível, mais tarde, intervir de forma mais consistente, desenvolver um treinamento que consiga melhorar esse ritmo. No geral, é este o objetivo dos estudos com marcha: determinar possíveis variáveis ou mudanças no caminhar e modificar a intervenção a partir delas.”

Acesse aqui, na íntegra, a pesquisa Step length synergy while crossing obstacles is weaker in patients with Parkinson’s disease

Fonte: Agência Fapesp

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